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Na casa da vizinha


Mais uma blogagem coletiva da qual participo com alegria, organizada pelas meninas Cris Philene do blog Prosa de Mãe e Tê Nolasco do blog Bolhinhas de Sabão para Maria.

O tema desta vez é "Ser mãe nem sempre é ser super".

Quero começar esse texto, convidando-os a uma reflexão a partir de uma arte. 


O artista dessa imagem pode ser conhecido no instagram - @m_melgrati e a publicação está no perfil @olugar.

Redes sociais que usam imagens/fotos e textos curtos, em sua quase totalidade, pode ser representada por essa imagem. Nas telinhas, todos estão felizes, não há cabelo no ralo.

No meu ralo tem cabelo, mas eu não vou fotografar e postar no instagram...

E por isso eu aprecio os blogs, os textos longos e as blogagens coletivas que nos permitem falar também sobre o cabelo que tá no ralo!

O problema não está no instagram, facebook, snapchat, enfim. O problema está em quem olha aquilo e acredita que há felicidade em tudo. Escolhemos o que publicar e podemos escolher também escolher em que acreditar.

Ali mostramos nosso melhor lado e eu acho isso positivo. Quem não se lembra dos jornais que "pingavam sangue"expostos nas bancas de jornais?

Acho agradável ver fotos bonitas, bem tiradas, mas eu sei que não estamos bem o tempo todo e não é diferente na maternidade.

Nossos bebês são fofos, nossas crianças lindas, nossos adolescentes idem, porém é preciso alimentá-los, vestí-los, educar nas birras, passar noites sem dormir. Essa é a maternidade real.

Hoje é domingo e faz exatamente uma semana que meu filho Bernardo bateu suas asas e saiu de casa. Vai morar no campus da faculdade. Geograficamente é próximo, mas ele não está mais em casa, no ninho e isso, esse silêncio, essa ausência a qual a gente vai se acostumando aos poucos - um dia fica feliz pela conquista, noutro chora pela saudade - tem me feito refletir com mais demora sobre a maternidade, os filhos, as asas, as etapas.

Eu já perdi a paciência e não foram poucas as vezes.

Meu filho Bernardo foi um bebê que pouco dormia - até os dois anos de idade ele acordava a cada duas horas e meia para amamentação. Foi exaustivo mesmo eu querendo.
Foi dormir uma noite inteira de cinco horas e meia aos 2 anos de idade.

Eu amamentava um bebê e o mais velho me chamava do banheiro: "Mãe, acabooooo"...

Uma fase específica de meu filho já na adolescência, reconhecida por ele mesmo dia desses, foi angustiante - por conta de um jogo no celular, a irritabilidade de meu filho foi ao extremo e por consequência a minha também. Gritei, gritei sim, várias vezes.

A menina teve suas fases chorosas, sensíveis, e a paciência da mãe também ficou escassa.

A internet tem feito um papel muito importante nos possibilitando trocas, conhecimento. Mas como escolhemos por publicar, de maneira geral, nosso melhor lado, somos o tempo todo inundadas por momentos lindos, famílias lindas, onde tudo parece perfeito e daí é comum a gente se sentir mal.
Afinal "todo o mundo" está bem, todos os filhos são maravilhosos, qualquer conflito é resolvido com abraços e choros mútuos e todos seguem felizes.

Poucos abordam que uma grande parcela das mães, tiveram seus filhos depois dos trinta, perto dos quarenta e quando eles forem adolescentes, nós, as mães, teremos que lidar com nossas questões hormonais também com a proximidade da menopausa. Sim, isso existe.

Cuidar de um filho cansa, exaure. Claro que o amor é maior que tudo isso, claro que tudo vale a pena, mas não tem como esconder - não somos super mães, no sentido de dar conta de tudo, não se cansar, não se estressar e ainda estar sempre feliz. Podemos até tentar, mas só estaremos nos prejudicando ainda mais.

Acho de uma importância enorme mães, avós, tias, falarem abertamente deixando a purpurina, por ora, de lado para falar, expor que a maternidade não é algo impossível, desde que realmente a queiramos, mas ela tem sim desafios e não são poucos.

Basta olhar para uma parcela dos jovens, adolescentes que a gente questiona assim "O que estão fazendo na rua uma hora dessas da madrugada?! "
Simples, muito simples - muitos pais cansam, literalmente, e é muito mais fácil dar dinheiro e liberdade para um adolescente...

Quando eu ainda sonhava em ser mãe e comprava revistas sobre o assunto, tudo o que eu via era beleza. Quartos lindos, mãe lindas, corpos após o parto, lindos e esse parecia ser o único adjetivo para a maternidade. Até que a minha mostrou-se com várias outras qualidades. E que bom!
A gente cresce.

Saber nossos limites, tentar manter e fazer coisas que nos agradam, olhar para nossos comportamentos perante nossos filhos, buscar ajuda, se necessário, estar aberto a mudar de atitude - tudo isso é importante.

Nós estamos falando abertamente que há momentos difíceis. Violência de qualquer forma passa longe dessa abordagem. Por isso acho importante nos cuidarmos, nos conhecermos.

Eu não gosto e não uso o termo aborrescência, mas reconheço que pode sim ser uma fase bem delicada e por vezes estressante.

Essa é a minha experiência. Obrigada por essa oportunidade de debatermos tema tão necessário!

Um beijo!





Comentários

  1. Ana!!! Aprendo muito por aqui também.. Tão bom ver que não sou só eu que perco as estribeiras... E pera lá , você falou sobre você ou sobre mim? rs
    Não falei porque esqueci, mas estamos enfrentando essa fase, os extremos hormonais, Maria em sua pre-adolescencia (não me esqueço de você falando sobre "fechar a janela", tudo irrita) e eu chegando na menopausa... São dois extremos complicadissimos... uma bola de neve que fico sem saber se tenho que compreender mais, me conter mais, ou se preciso tb ser compreendida...
    É amiga... a maternidade é linda sim nas fotos, mas temos muitas coisas por tras dos bastidores.... temos gritos como você falou, temos impaciencias, choros, tristeza, impotencia, e aí vai... A gente fala que cuidar de criança dá trabalho, mas precisamos recriar a maternidade quando chega a adolescencia...

    Mais um abraço pela ausência do Bernardo, que sei que um dia será assim também aqui... por isso eu tinha o sonho de ter uma casa cheia de crianças rs
    A gente aperta o coraçao e lembra dos momentos de impaciencia que deveriam ter sido diferentes e até disso a gente sente falta...

    Mas as lembranças maiores são das alegrias.. ahhh essas fazem falta e ao mesmo tempo preenchem o coração..

    muuuuuuuuuito obrigada pela participação e pelo carinho...
    Só vim aqui agora pq estava na estrada e cheguei tem pouco tempo no meu destino..

    Te espero mes que vem..

    Obrigada Ana

    Tê e Maria ♥

    Seu link está la

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  2. Ana Paula, li tudinho e degustei cada palavras pois foste muito abrangente e verdadeira! Nos meus ralios também tem cabelos, sob minha cama tem pó, tem brinquedos jogados pela sala, os braços do sofá estáo surrados e pedindo outro...Mas assim é a vida. Na maternidade também...Não é sempre a família de comercial, aliás, na maior parte das vezes o antes da foto e o durante deveriam ficar registrados. Adorei te ler e sei bem como teu coração está sentindo...Boa sorte pra todos! bjs praianos,chica( acabando de voltar de um circo,daqueles bem fuleirinhos de praia. Muito bom e valorizamos muito o trabalho e produção dessa gente que trabalha em família e sabe-se lá quantas confusões antes de cada apresentação!!)

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  3. Querida Ana, que delícia de texto! Verdadeiro, sincero e sim com cabelos nos ralos, muito bem falado, apesar do tema ser puxado, eu amei a sua sinceridade na abordagem, porque estamos com as redes sociais perdendo isso, a sinceridade, a simplicidade... o relatar único e que na verdade fala muito de todas nós.
    Aqui em casa meu menino é pequeno... eu tenho muitos defeitos, claro que a gente mostra o que quer... o que é mais bonito... e não que seja ilusão, mas, o que escolhemos mostrar. No fundo é que o que sentimos é misto de sentimentos, mas nunca de arrependimentos de ter nossos filhos...
    Não somos super... mas, se quisermos ser, tb não há problema!
    O que queremos de verdade é nos apoiar mutuamente... saber que não estamos sozinhas nesses perrengues, faz um bem danado!!
    Obrigada por vir conosco em mais essa blogagem!
    bjs, Cris

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  4. Oi Ana, tudo bem.
    São inúmeros aprendizados que só temos conhecimento na prática, porque toda maternidade é diferente da outra, inclusive em casa, tendo vários filhos, mesmo assim uma maternidade é diferente da outra...
    Percebo que precisamos valorizar mais a maternidade, as mulheres... Precisamos reconhecer mais nossos valores e autoridade, porque o mundo anda deturpando muitos assuntos da vida...
    Desejo muita força nessa nova fase, porque é como vc disse, a gente comemora as conquistas dos filhos, mas ao mesmo tempo o coração aperta...
    Beijos doces,
    Ju

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