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16 anos da Juju!

 Hoje é aniversário da nossa Juju! 16 anos! A foto, na verdade ainda é de quinze anos, mas ela escolheu mesmo assim. Filha, que você continue sempre a levar esse sorriso, essa alegria aonde quer que você vá! Feliz aniversário!
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Para nossos dias

 "Meu pai vinha dos interrogatórios da polícia e falava dos pássaros que vira no caminho".   Tenho esta frase escrita num pedaço de papel, uma folha arrancada de algum caderno. Na pressa em anotar, não coloquei o nome da autora, mas ainda me lembro do contexto - era um podcast de entrevista. A moça em questão, mulher feita hoje,  falava do pai nos tempos da ditadura. Era uma criança à época e ficou marcada por esta atitude do pai. A página do calendário mudou hoje. Iniciamos abril, entre cansaço, tristeza, ainda esperança nesta pandemia que parece ainda estar longe de cessar. A frase acima reverberou em meu coração. Aquele pai dos pássaros no caminho só pode falar deles porque tocou a dor. Não negou, não fingiu que estava tudo bem. Tocar e ser tocado pela dor e sofrimento abriu-lhe o olhar para a beleza, para os pássaros no caminho... Outras pessoas, especialmente através dos blogs, me ensinaram também a olhar as flores pelo caminho depois de momentos difíceis, os céus com su

As aulas retornam

  O registro fotográfico foi feito em novembro. Era uma aula online de química da Júlia. A novidade que se instalou na vida dos estudantes rendeu boas risadas aos pais! Marido adorava acompanhar as aulas, recordar, lembrar que já não lembrava mais nada da matéria! Eu gostava de quando ouvia um professor dizendo “ hoje vou mostrar meus gatos para vocês” e mesmo “ vamos fazer um passeio pelo quartinho do bebê que já está pronto só esperando ele chegar”. Mas... Chegamos todos a um final de ano exaustos e o recomeço das aulas, aqui já na próxima semana, não é dos mais animadores. Minha filha me diz que só de pensar em passar um dia inteiro estudando pelo computador, fica desanimada. A escola, em reunião, discorreu sobre a proposta de um ensino híbrido, possibilitando aos que querem continuar o ensino de casa, e os que retornarão para a sala de aula, talvez seja necessário o sistema de rodízio. Fizeram uma pesquisa e ainda não foi divulgado o resultado de quantos alunos voltarão para o pres

A vida da vida

  Hoje pela manhã, chamei marido para sentar-se ao meu lado no sofá e disse a ele que eu iria escrever no blog a partir de um trecho de um livro e gostaria da opinião dele. Primeiro, trouxe um contexto: lembra da morte do jornalista Gilberto Dimenstein? - indaguei. Eu gostava muito dele, todas as manhãs eu o ouvia no rádio. Nas semanas ali do final do ano, eu me deparei com três menções a ele através do livro que ele deixou escrito com a sua mulher, a Anna Penido. Vi uma postagem no Instagram, um artigo de meia página no jornal e uma newsletter que recebo semanalmente no meu e-mail. Dito isto, vamos à frase: “ Câncer é algo que não desejo para ninguém, mas desejo para todos a profundidade que você ganha ao se deparar com o limite da vida. Não queria ter ido embora sem essa experiência. Não queria morrer sem antes desfrutar de todo esse encantamento”  Os últimos melhores dias da minha vida Marido me disse, após eu concluir uma segunda leitura da frase acima em voz alta - “ Dimenstein, q

As lições da terra

  Gostaria imenso de ter participado da prosa lá Na casa da Vizinha, infelizmente não foi possível. Hoje porém eu me alegrei muito ao ler os relatos de infância das meninas! Eu havia separado um texto para encaixar na postagem que pretendia fazer. Não sei realmente como costuraria os temas, porém como acho este testo de uma beleza profunda, quero deixá-lo aqui para meus filhos, para mim mesma, para você que gentilmente me oferece seu tempo para ler. O texto é um ensinamento, uma lição do Buda para seu filho Rahula. O contexto é o seguinte: Rahula, o filho do Buda, caminhava junto a vários monges. Buda ia na frente e Rahula, então um adolescente, era o último da fila. De repente, distraiu-se e fez algo errado. O Buda percebendo chamou-lhe a atenção perante todos os outros. Rahula ficou muito chateado, triste por ter sido repreendido na frente de todos e num determinado momento, disse a seu amigo para seguir que ele ficaria ali debaixo de uma árvore. O amigo, depois de um tempo retorna p

Uchimizu

Sinto tanta, mas tanta vontade de escrever. Não, não é realmente “vontade de escrever” e sim vontade de receber! Receber você, minha visita, meu visitante. Esta troca, este interagir, esse acrescentar, compartir. Então, neste anseio por recebê-los, vou transcrever um pequeno trecho de uma história de Shunmyo Masuno. “Num dia quente de verão, você pode estar aguardando uma visita. Antes de recebê-la, esguiche água do portão para a rua. Esse ato serve para purificar a casa e fazer seus visitantes se sentirem bem-vindos. A pessoa que chega vê a mancha de água na calçada ou as gotas no canteiro de flores e pensa: “Ah, minha visita está sendo esperada. Quanta hospitalidade!”. Joguei um balde de água com desinfetante aqui no quintal e calçadas, ou talvez tenha sido a água do enxágue da máquina com cheiro de amaciante. Com a vassoura de piaçava, fazendo aquele barulhinho ao roçar o chão molhado, espalhei a água cheirosa. Pronto, pode chegar! Tua visita é esperada! Eu bem sei de minha neglicên

Florescer em meio às adversidades

Eu devia estar deixando a adolescência e iniciando a minha juventude quando descobri/aprendi que a palavra crise, no ideograma chinês, trazia consigo o significado de oportunidade. Toda crise então, carregava em si uma oportunidade, talvez ainda não revelada. Por um certo tempo, aquilo me serviu. Um emprego em que eu não era chamada, ou quando era demitida, lá estava a oportunidade de algo maior. O mesmo para algum "paquera" que não dava em nada, certamente haveria uma outra, uma melhor oportunidade me aguardando lá na frente. A palavra crise dos chineses não me serviu quando a crise era muito mais que uma crise. Um luto, uma traição... nestes casos era difícil enxergar uma oportunidade lá na frente. Perder um pai, uma mãe, um filho. Que oportunidade haveria nisso? Senti que era raso aquilo que por um tempo havia me servido. Cresci sendo ensinada a ser uma boa pessoa; rezar; bater três vezes na madeira para não atrair coisa ruim; pular ondas; vestir a cor certa para um