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Setembro amarelo - parte I


Eu resisti muito em trazer este tema para cá. Não é um assunto agradável, muitas vezes eu fico confusa por achar que dar tanta voz ao suicídio, aumenta-se ainda mais a questão.
O que me fez trazer esse assunto para cá, foi uma costura que veio acontecendo nas últimas semanas envolvendo esse debate e eu cedi e gostaria de conversar com vocês.

Já no início do mês de setembro eu me deparei várias vezes com a "fitinha amarela", e só agora soube que, no Brasil, esse é o quarto ano da
campanha e que a cada ano, o setembro amarelo traz uma reflexão:o tema central deste ano são os adolescentes.

Algum tempo depois, recebi um e-mail de uma editora, desses enviados para muitas pessoas e que havia ali algo que despertou a minha curiosidade. Uma manchete que assim dizia: "Setembro Amarelo: Facebook e Instagram contribuem na prevenção ao suicídio.

Cliquei e li a notícia. Ambas plataformas colocaram botões em que é possível denunciar ( leia-se ajudar ) pessoas que claramente estão a poucos passos de suicidarem e tanto o Instagram como Facebook oferecem ajuda colocando a pessoa em contato com alguém que possa ajudar.

Fiquei pensando se isso não seria apenas mais uma jogada de marketing para ficarem "bonitos e bonzinhos" com o público.
Neste mesmo dia em que li essa reportagem, meu filho veio para casa e almoçamos juntos.
Então eu lhe falei da reportagem e perguntei se realmente aquilo ajudaria alguém.
A resposta foi impactante.

"Claro que ajuda mãe, e muito. Um cara lá da nossa turma, salvou assim.
Um colega nosso, eu não conheço, é de uma turma mais antiga, mas estuda e mora lá com a gente, foi salvo por causa do facebook.
Ele fez uma publicação dizendo que amava a família, mas que não aguentava mais viver com aquela dor que já durava oito anos.
Um amigo que leu achou muito estranho e lembrou que ele falou, para esse mesmo amigo, que tinha reservado um hotel naquele dia.
Os caras correram para lá e encontraram ele desacordado. Levaram para o hospital e ele salvou."

Eu disse para meu filho que nunca tinha visto nenhuma postagem assim.
Ele me respondeu que talvez eu não visse mesmo, porque meus amigos de instagram, blog são pessoas mais velhas e estruturadas, mas que entre os jovens, isso era comum. 
Ao invés de deixarem uma carta escrita num papel, eles publicam na internet.

( Isso na verdade é um pedido de ajuda - voltarei a esse assunto )

Aproveitei o momento para conversar com o meu filho sobre o que ele achava, como ele estava sentindo, já que era algo próximo a ele.

Alguns dias depois dessa conversa com meu filho, recebi um convite da escola onde minha filha estuda para uma palestra com o seguinte título: Sofrimento emocional entre os adolescentes: como identificar e como ajudar?

Ontem à noite estive lá e fiz algumas anotações. E foram essas anotações que me impulsionaram a vir aqui escrever:

A cada 45 minutos temos um suicídio na faixa etária dos 15 aos 24 anos.

Esses números não são fiéis, porque há uma lei que garante à família a possibilidade de omitir o suicídio como causa da morte.

Porém, uma lei bem recente ( quando eu a tiver, vou trazê-la ao blog ) determina que as escolas notifiquem compulsoriamente os casos de crianças e adolescentes com ideias suicidas, tentativas e autolesão ( automutilação). Isso para que seja possível se ter um panorama real e assim conseguir ações de políticas públicas, como aumento nos atendimentos gratuitos com psicólogos, para a prevenção.

Para que a postagem não fique muito extensa, abordarei em outro texto um pouco do que foi trazido na palestra.


Comentários

  1. Tema forte e impactante, mas infelizmente bem real. Na turma de um dos netos teve caso assim...Foi triste, mas conseguiu salvar-se. Pena acontecer! bjs ,chica

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