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Adolescência dos filhos

Você se preparou para a chegada do seu filho, do seu bebê?
A resposta é sim, com todas as suas variantes!
Mesmo que a gravidez tenha ocorrido no "modo surpresa", eu acredito que todas nós, de alguma forma nos preparamos para receber um bebê.
Uma consulta de pré-natal, uma ultrassonografia, é uma maneira de preparar-se.
Mobiliar o quarto, comprar o enxoval, lavar as roupinhas.
Pensar no nome, conversar com o parceiro ou consigo mesma sobre a educação, o criar essa preciosidade, nosso bebê!
Cursos de cuidados com recém-nascido, amamentação, papinhas.
Chá de bebê, lembrancinhas da maternidade, visitas nos primeiros dias.
Pediatra, leituras, psicologia...

Há quem tenha feito tudo isto, há quem fez alguma coisa!


Recebemos nossos pequeninos em nossos braços sim, com algum preparo.

E a adolescência? Será que estamos preparadas, ou nos preparando para sua chegada?

Aqui eu encontrei muitos desafios.
Primeiro porque estamos imersos em muitos afazeres que a vida, nossos filhos demandam. Ainda que já estejam maiores, levamos e buscamos para as atividades, alimentação, tarefas escolares. Ajuda que já tomam banho sozinhos, e dormem melhor.
Porém pouco se fala da adolescência, que, repentinamente nos damos conta que chegou.

Chega misturada justamente com aquele pé na infância e por vezes demoramos a enxergar.

Lembro-me de ter procurado blogs que falavam sobre adolescentes e não encontrei. Haviam blogs feitos pelos adolescentes - fotografia, literatura - mas não falando sobre eles. E eu queria essa troca, bem próxima de quem convive com um filho nessa fase.

Eu me preparei de um jeito meio indireto.
Vou explicar: quando as crianças eram pequenas, eu gostava muito de um programa que abordava o desenvolvimento infantil. Era com o ( já falecido ) Içami Tiba. Alguém o conheceu? Acompanhou seus programas?

No programa, misturado ao comportamento infantil, ele falava também dos adolescentes.
Mas aqui eu vou confessar uma coisa: eu não conseguia acreditar no que ele dizia.
Eu tinha a criança mais fofa do mundo ao meu lado, com seus três aninhos de idade. Dócil, carinhosa, falante. Como aquela criaturinha se transformaria num adolescente com mau humor, com irritação, cheio de silêncios?
Ah! Com meus filhos seria diferente, claro! 
Claro... que não foi diferente!

Aqui eu pego um alto-falante, um microfone, para pedir, implorar - NÃO USEM NUNCA A PALAVRA "ABORRESCENTE".

Eles mudam, cada um a seu jeito, mas é uma transformação cheia de beleza, uma verdadeira metamorfose. Pensem: em algum tempo, teremos um jovem adulto saído daquele bebê fofo!

Aqui em casa, como foi e está sendo

Bernardo hoje tem 16 anos e mora no alojamento da faculdade. Júlia tem 14, e está conosco.

Falarei primeiro do Bernardo.
Lembro-me que um dos primeiros sinais que me alertou que a adolescência estava chegando, foi um sinal da puberdade. Aquele cheirinho gostoso de criança suada, deu lugar à necessidade de se comprar um desodorante!

Logo começaram as oscilações de humor, que, no caso dele, foi uma fase ( que pareceu infinita ) de mau humor. A criança acordava mau humorada, fechava as portas com o mau humor nas mãos ( outro jeito de dizer batia as portas ). Essa fase difícil durou uns dois anos. Hoje as emoções ainda se dão de maneira intensas, mas o bom humor o faz até cantarolar pela casa!

Júlia mostrou um comportamento mais irritadiço e sensível. Choro que vinha fácil por qualquer motivo. Ainda oscila entre irritação e sensibilidade.

A adolescência dos filhos não é algo que só aconteça com eles. Influencia diretamente em nós que os cuidamos.
Acho que passa pela percepção do tempo. Nossas crianças estão deixando para trás essa fase e caminham para uma independência cada vez maior. E lendo nas entrelinhas, significa que o tempo está passando também para nós. E como lidamos com isso, com o nosso envelhecer, com a não dependência de um filho de nós?

Uma outra característica dessa fase, eu acho que é uma introspecção, literalmente um ficar sozinho em seu quarto.
Como eu lido com isso? Respeitando esses momentos, mas também não deixando que eles se isolem.
Então saímos juntos, seja para lazer ou para coisas comuns, do tipo, querem um brigadeiro? Então vamos juntos comprar os ingredientes porque não tem aqui em casa ( eu deixei de comprar coisas que eles gostam, um sorvete por exemplo, para sutilmente, convidá-los a ir comigo ou com o pai para comprar! )

Encontrar uma linguagem em comum, algo que gostem de fazer juntos, é tão especial para essa fase.

Aqui, pai e filho apreciam os jogos de futebol do campeonato mineiro. Como moramos em São Paulo, os jogos não passam na tv. E eles dão um jeitinho! Assistem do celular mesmo! Fazem revezamento no segurar o aparelho.








Estou ainda atravessando essa fase, sei que vem muita coisa por aí, e também sei que as espinhas/acne mexem demais com os adolescentes, então é preciso dar importância a isso.

Nessa travessia, houve momentos em que eu achei inútil tudo o que eu fiz com eles na infância que considero bons exemplos, boas influências. De repente, pareceu-me que tudo foi por água abaixo.
Acreditem, tudo o que fizemos fica sim guardadinho nos corações deles!

Enquanto cuidadores, conviventes com adolescentes, pais, mães, avós, precisamos nos cuidar. Precisamos fortalecer nossa paciência pois ela será desafiada.



Educar nessa fase requer aquela habilidade de andar numa corda bamba. É preciso compreender que eles estão em transformação sob efeitos de hormônios, mas também não podemos deixar que façam tudo o que querem e acham certo. Ponderar, achar esse equilíbrio não é nada simples.

Algo que está acontecendo ao nosso redor, é vermos adolescentes, e isso meus filhos mesmo percebem e se entristecem, usando álcool e maconha.

Há um cansaço nos pais, eu não vou negar que por vezes o sinto também. É um cansaço onde não basta horas a mais de sono, ou um feriado prolongado para repor energias.

O cuidar desde bebezinho com todas as demandas, depois crianças pequenas e ainda assim necessitando de muito cuidados, gera um cansaço que é extremamente perigoso na adolescência.
Porque nos tempos atuais, de cartão de crédito/débito, aplicativos de entrega de comida, aplicativos de transporte, torna-se muito fácil dar essas coisas para o filho, dar-lhe dinheiro e um quarto com netflix e wi-fi e você pai, mãe, avô, vai fazer as suas coisas, viver a sua vida e deixa uma criança ainda em transformação solta. É a fórmula certeira para a bebida e as drogas.

Pense numa pessoa incrível, que você admira, que tem uma beleza nela, que você aprecia estar perto, estar com ela. Aquela pessoa que faz um bem danado só de passar uns minutinhos com ela.

Então, é essa pessoa que nosso filho adolescente vai se tornar. É esse pessoa bonita que vai fazer muita gente querer estar perto, estar junto.
Que alegria não é mesmo?!
Nosso adolescente está se tornando isso. E não é fácil para ele também.

Deixo aqui a dica, que recebi, de dois livros. Saber, estudar um pouco ajuda na realidade do viver, embora cada um seja realmente uma caixinha cheia de surpresas! E se você tiver mais dicas, deixe aqui também




Deixo também a foto dos meus adolescentes que tanto amo!

Vale ressaltar que fotografar adolescentes é praticamente uma arte!
Não quiseram esperar eu pegar a máquina, tinha que ser rápido, a lente do celular estava suja, ele queria que ela olhasse para o lado, ela se achou feia, ufa! Vai assim mesmo!






Fiquem à vontade para perguntar, prometo responder na própria postagem!

Participando de mais um projeto Na Casa da Vizinha, organizado pela Tê do Bolhinhas de Sabão para Maria e Cris do Prosa de Mãe.





Comentários

  1. Como sempre,Ana Paula, uma beleza te ler! Verdades todas aqui e lembrasrte das espinhas... Como com os filhos, cuidados com a acne...Neno teve um dia que parecia ter um NARIZ dentro de uma espinha,rs... Mas pra tudo se dá jeito, sendo com carinho, respeito, limites, claro para que não se achem poderosos e que tudo podem de repente!!!

    Linda participação, adorei as fotos e si bem que não querem mais e quando as fizemos, passam por julgamentos antes de colocar à mostra,rs...

    beijos pra todos vocês,chica

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    Respostas
    1. Chica, as espinhas trazem questões emocionais tão intensas, que merecem mesmo um cuidado especial. Um adolescente com uma espinha se acha horroroso, então um carinho com uma pomadinha, ou mesmo o médico se for o caso de serem muitas.

      Ah! E as fotos?! Nunca estão dispostos a posar para nossos clicks, quando o fazem, acham que não ficaram bem... Mas a gente sempre dá um jeitinho, né?!
      Obrigada pela visita e partilha!

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  2. Oi Ana!!! Morrir de rir com a parte das fotos kkk Vê se tem feiura nesses meninos lindos gente... Mas é pura verdade que eles se sentem assim.. são as transformações externas e internas que mexem muito com a cabecinha deles... Aqui também peço pra tirar umas fotos e diante de toda a trava que vc relatou, tenho até conseguido bons êxitos rs

    Ana, é mesmo tudo desafiador, bonito, sensivel, transformador. É um misto de sentimentos que passa como você falou, pela cabeça deles e da nossa...

    E você disse muito bem, o cansaço hoje não se repoe numa noite de sono rs Mas acho que o cansaço mental também é grande... Porque não é tão simples... Por mais calma e feliz que seja a criança, com certeza uma mãe ou pai vão passar pela fase da irritação, da impaciencia, do mau humor, porque isso é hormonal.

    Agora você imagina aqui. Maria iniciando nesse processo e eu pra terminar rs Cris meu marido fica no meio disso tudo rs
    Uma bomba atômica as vezes dentro de casa rs

    Mas aqui somos muito amorosos. Conversamos a toda hora.... Amamos demais e tentamos seguir a conduta de Maria pelo caminho mais reto possível. E como disse você, tudo deve estar guardado nesses anos todos de convivência e ensinamentos desde a infância.

    Ana, muito obrigada pela susgestão do Tema. É lindo esse tema. Bom para vermos que não estamos sozinhas como vc disse no comentário tão lindo que vc fez no Bolhinhas e bom para compreender nossas lagartas lindas em transformação.

    Lembrei mas depois me distraí, mas agora está lá. Citei você como ter dado a sugestão do tema!
    As outras sugestões estão guardadas e se vier mais alguma coisa na cabeça nos fale.

    Beijos e muito obrigada

    Tê e Maria ♥

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    Respostas
    1. Tê, as fotos podem ser consideradas artigos raros! Se você está tendo êxito, siga firme minha amiga!
      Hormônios são mesmo a base de toda essa transformação. E essa fase por aqui também coincide com a minha, que finda para dar espaço a mais um ciclo.
      O cansaço por vezes se faz presente - e como você disse, não é só um cansaço físico, é mental também, mas com amor vamos contornando tudo isso porque afinal é tão lindo, tão gratificante vê-los crescer e amadurecer!

      Obrigada por mais essa oportunidade que sempre acrescenta, soma!

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  3. Amiga querida... ah!! que relato mais detalhado e rico!!!
    Me identifiquei em números pensamentos seus... justamente porque o nosso olhar pra eles é sempre aquele do bebê fofo... da criança dependente! Só que eles crescem... e vão se descobrir de fato! Acredito que por isso o isolamento o fechar em si mesmo.
    Mas. bem disse nessa frase: Educar nessa fase requer aquela habilidade de andar numa corda bamba.
    E eu... fico aqui nos aprendizados de vocês amigas queridas que relatam como tem sido, para que eu possa com as experiências compartilhadas tentar acertar ou errar um pouco menos.
    Amei sua postagem, espero novas ideias para papearmos ainda mais!
    Obrigada por participar!!!
    bjs, Cris

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    Respostas
    1. Cris, como eu disse no meu comentário lá na Ju, para mim está sendo uma alegria ver a participação de vocês que ainda não estão com um adolescente em casa, ainda há um bom pedaço da infância por aí!
      Mas acho importante essa troca para a gente não se sentir sozinha quando passar.
      Claro que será de maneira única para cada um, porém muitas características são comuns a todos eles, afinal estão sob influencia dos hormônios, e a oscilação de humor é uma delas.

      Que a gente tenha a paciência, sabedoria, cautela para essa corda bamba que nos é exigida. Mas é uma fase belíssima!
      Um beijo para você e para o Joseph!

      Ana Paula

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  4. Olá Ana Paula!

    Ainda que teorizando sobre esta fase que com a Laura ainda não vivencio, algumas coisas considero práticas essenciais: paciência e sabedoria. Para hoje, amanhã e sempre. Também não gosto do termo "aborrecente". Desnecessário, pejorativo... totalmente contra o bem maior que desejamos aos filhos com genuína bondade.

    Gostei de ver Júlia e Bernardo!!! Lindos, crescidos e crescendo em integridade para fazerem suas escolhas com dignidade.

    Beijo!

    Renata e Laura

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    Respostas
    1. Renata, eu também acho tão desnecessário e pejorativo o termo "aborrescente" que vejo muita mãe usar. Pode ser uma fase desafiadora, mas precisamos enxergar a beleza nela e trazer frescor aos nossos olhos para apreciar e orientar nossos filhos nessa nova etapa do viver.

      Obrigada pelo carinho e beijinhos na Laura!

      Excluir
  5. Ana, que postagem maravilhosa, cheia de amor e sensibilidade, como sempre.
    Eu sei que muita gente se prepara para tantas coisas, mas a vida real é tão cheia de surpresas e muitas delas surpreendem a gente, e creio que tanto o lado bom como ruim, tem aprendizados....
    Penso como vc, a gente cansa mesmo, mas a caminhada é longa, para não dizer que é até o ultimo dia de vida, porque sempre estamos cuidando ou preocupadas, mesmo que a distancia.... E como vc bem disse, um quarto acompanho de internet e TV, ou celular que seja, é um prato para o céu ou inferno, e quem se atreve a ariscar
    Achar o equilíbrio na administração diária de cada particularidade. é o ponto chave, porque eles precisam de espaço, mas ainda de muita correção e limite...
    Tenho uma prima que também ficava perguntando de conselhos de adolescentes um tempo atrás, porque é novidade para todo mundo, mas também podemos buscar lembranças na nossa adolescência.... Precisamos de amor, paciência, referência, limites, compreensão e acolhimento, e esses truques infalíveis que já pratico por aqui (risos), de sair juntos para comprar o sorvete preferido, ao invés de comprar e trazer para casa...rs
    Lindo texto, lindas fotos...
    Beijos doces,
    Ju

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  6. Bom fim de noite Ana.
    Sempre com muita experiencia sua participação neste projeto vem agregar valores para que se inicia neste duro processo. Aqui boas informações e alertas neste mundo de tudo às mãos.
    Gostei Ana.
    Abraços e feliz Setembro com paz e flores pelos caminhos.

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